Da Lata

Publicado: 17 janeiro, 2008 por baraldi em Sem Categoria
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Antes de assumir completamente a essência nerd do blog e sem desvirtuar para a pornografia exacerbada, segue uma notícia sobre uma historia que, acredito já ter comentado com alguns de vós:

Demorou 20 anos, mas aconteceu. Um dos momentos mais marcantes para a juventude brasileira nos anos 80, a história das 20 mil latas de maconha que surgiram boiando na costa brasileira, nas praias do Rio de Janeiro até Porto Alegre, vai ser transformada em filme. O episódio, conhecido como o Verão da Lata, finalmente irá parar nos cinemas pelas mãos do ex-diretor global João Falcão, que já escreve a história e pretende começar a filmar em 2008. Também lembrado como o verão “mais louco” que o Brasil já viu, o caso das latas aconteceu a partir de 22 de setembro de 1987, quando o navio australiano de bandeira panamenha Solano Star jogou no mar 22 toneladas de maconha ao mar, no litoral de Angra dos Reis, porque estava sendo perseguido pela marinha brasileira. Era cerca de 20 mil latas da erva lacradas a vácuo, com a maconha acondicionada com melado e de “extrema qualidade”. Com a Polícia Federal na cola, avisada por uma agência americana antidrogas, o Solano jogou o engradado gigante com a carga toda no oceano. E logo as correntes marinhas se encarregaram de romper o engradado e espalhar as latas pela costa, para alegria da galera. Até março de 1998 as latas seguiam aparecendo no litoral. Quase todo mundo que viveu aquele verão tem uma história para contar. Eu conheci um cara que colocou o nome de Solano, no filho dele que nasceu naquela época. O resultado para os registros policiais é o de que pouco mais de quatro toneladas da maconha em lata foram resgatado. O resto “desapareceu”. Depois do episódio, ninguém mais soube da tripulação do navio, a não ser o cozinheiro da embarcação, que parece ter pagado o pato da história toda. Uns dizem que ele cumpre pena de 20 anos até hoje, no Rio de Janeiro. Li no diário paulistano “Jornal da Tarde”, que trouxe a história toda das latas nesta semana, na capa de seu caderno de variedades, que o cozinheiro cumpriu um ano de xadrez e depois foi solto por falta de provas.

* A “febre da maconha” do verão da lata, estava diariamente no “Jornal Nacional”, foi tema de “Globo Repórter”, estimulou no país todo a velha discussão sobre a legalização, virou gíria, livro, música, marchinha de Carnaval, camisetas e, óbvio, abasteceu por um bom tempo as principais baladas do Rio de Janeiro para baixo. Quando surgiu a notícia da primeira lata encontrada, virou uma verdadeira caça (pesca) às latas. Nunca as estradas para o litoral ficaram tão congestionadas. O termo “da lata” devia entrar para o Aurélio, de tanto que foi utilizado para designar “coisas de boa qualidade”. “A aula de hoje foi ‘da lata’”, era comum dizer, em referência a uma aula muito boa, para ficar num exemplo besta.

* Ainda de acordo com o que eu li no “JT”, em depoimento, a sensação de ter nas mãos o produto da lata era poderosa, não só pela decantada alta qualidade da erva. Primeiro porque significava ter conseguido uma coisa que a polícia não conseguiu. Depois, ela não vinha dos traficantes de morros cariocas ou favelas paulistanas. Vinha do mar, como um “presente de Deus”. Para finalizar a história, o filme de João Falcão tem o título provisório de “Nunca Haverá um Verão Como Esse”.

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comentários
  1. Diego disse:

    Cara…

    Os anos 80 foram os melhores de toda a história da humanidade. Tenho orgulho em dizer que nasci na década de 80, mas é uma pena que não vivemos esses fatos históricos.

    E apesar de não costumar dar um tapa na pantera, queria muito ter visto isso de perto! Espero que o filme se mantenha fiel ao acontecido! ^^

  2. baraldi disse:

    O pai de um amigo meu que hoje é produtor musical sempre contou essa historia… Eles estavam na praia, num puta lugar paradisíaco assim, com mata virgem e pá, quando começaram a surgir centenas de latas trazidas pelo mar, o primeiro que abriu falou ‘Puta que pariu, isso aqui é maconha!’.
    Disse que teve nego alí que pirou mesmo nessa historia de que Deus tinha enviado tais latas. Foi tipo um delírio coletivo real, nego passou o feriado inteiro sentado em cima das latas e ainda voltou pra casa levando tudo quanto pudesse carregar.

  3. neilzao disse:

    falo muito pouco portugues, de sculpa.
    i want to know more about this film production. anything you can share would be great.
    if its a sure thing, i want to find out about distributing it in the US. if it is not to be finished, i want to pick up where john hawks may have left off.
    obrigado
    neilzao

  4. Jurandir disse:

    Eu sou testemunha viva dos fatos relatados. Sim amigos ! A maconha era da melhor qualidades mesmo. Tenho no momento 49 anos e naquela época tinha meus 27 anos e fumei muito pois moro em Santos e nosso litoral foi abençoado com milhares de latas com a poderosa substancia que até então não tinha igual. Isso sim foi uma benção do poderoso “NETUNO” rei de todos os mares. Quem recebeu essa benção não esquece até hoje, como eu. Sintam inveja mesmo usuários de plantão. Essa é uma história verídica e que tem milhares de testemunhas…….até

  5. Mauricio disse:

    Lembro-me deste episódio. São coisas que acontecem uma vez só na nossa vida. Quem nasceu depois deste episódio, curta a história com o filme. Quem curtiu, sempre caregará a história da lata dentro da cabeça.

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